
Fora o cenário idêntico, o envelhecido Sambódromo na Marques de Sapucaí, o desfile das escolas de Grupo de Acesso do Rio não parece em nada com o evento principal, que se realiza apenas um dia depois.
Com transmissão da Band, sem nenhuma musa famosa, com os mais badalados camarotes fechados e com as escolas de bolsos vazios, o desfile está longe de provocar o encanto e o espanto que as escolas do Grupo Especial costumam causar ao passar na avenida.
O desfile de 2011, neste sábado, ainda teve o agravante de ocorrer sob chuva. Só a Alegria da Zona Sul, primeira a desfilar, escapou da água – curiosamente, a escola estourou o tempo e foi penalizada com perda de pontos.
A chuva começou por volta das 21h30, no início do desfile da Renascer de Jacarepaguá, e seguiu em frente, com maior ou menor intensidade, madrugada adentro.
Um desfile sem a presença de atores da Globo, ex-BBBs e subcelebridades variadas é realmente diferente. Na concentração, os repórteres se aproximam das rainhas de bateria para, antes de entrevistá-las, perguntar seus nomes. Como são figuras desconhecidas, ouvem sempre a mesma pergunta: “É a sua primeira vez como rainha?”
A chuva forte torna ainda mais aflitivo o trabalho dos guindastes que içam os destaques dos poucos carros alegóricos na concentração. Um banheiro químico serve de refúgio para integrantes de uma escola que ainda vai esperar uma hora antes de entrar na passarela do samba.
Um cachorro entra na avenida durante o desfile da Acadêmicos do Cubango. Quase três da manhã e ninguém consegue pegar o vira-lata, que se diverte antes de ir embora, por livre e espontânea vontade.
Antes disso, uma outra divertida surpresa: na homenagem da Inocentes de Belfort Roxo aos Mamonas Assassinas , a bateria da escola entrou fantasiada de “Robocop Gay”. E no “esquenta”, antes do samba começar, os sambistas cantaram “Pelados em Santos.
Poças de água na avenida atrapalham um pouco a evolução dos passistas, especialmente os que sambam próximos ao meio-fio. Na arquibancada, cheia, mas não lotada, espectadores se protegem com capas e guarda-chuvas. Por volta das 23h, um camelô vende a sua última capa, por R$ 10.
Entre um desfile e outro, o clima de desânimo só é quebrado pelos promotores de uma rádio FM, que atravessam a avenida distribuindo camisetas.
Numa frisa, no meio do Sambódromo, duas senhoras descansam embaixo da chuva. Ao lado, um jovem tira a camiseta e a torce. Mais adiante, uma mulher observa: “Se eu soubesse, tinha vindo de galocha”.
Alheio a estes problemas menores, um passista da Santa Cruz cruza a avenida na maior animação.Não está nem aí para a chuva ou para os problemas de som que a escola enfrenta. Com uma perna só e a ajuda de uma muleta, ele comove quem o vê passar e faz valer a noitada.



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