Certa vez, num 2 de fevereiro, litoral de Santa Catarina reuni inventoras fantásticas. Era noite e muitos atabaques encantavam a praia. Nesta festa reuni Mestra Elma (minha mestra de capoeira angola), a mãe de Santo Zenith de Oxum –sacerdotisa que me iniciou no cultuo e portanto minha eterna mãe, e uma Yadekan que cantava e tocava vigorosamente, parecia uma maquina-do-tempo em atividade… levava todo mundo para Africa.
Ali com estas três mulheres descobri a que vai além dos limites, a que assume a coragem e o canto e a que domina as energias, devolvendo a Natureza o que excede. E hoje , neste 2 de fevereiro de 2012, escrevo banhada por Mãe Iemanjá no Rio de Janeiro. Fui a uma festa comandada por Mãe Beata.
Nesta madrugada celebramos Iemanjá com oferendas, cantos, danças e até cortejo. E sempre na oralidade, mais uma vez, reservamos um tempo pra compartilhamos ensinamentos. Ali celebramos o axé (que significa força). A fecundidade, que me fez pensar no protagonismo feminino no culto aos orixás. Conversando com mãe Beata, me surpreendo. A matriarca fala da importância do estado laico.
“Faço minha parte. Somos todas ao mesmo tempo. Não vamos medir a distância que temos umas das outras, todas que quiserem podem me copiar. Minha vida, venci puxando até desfazer todos os nós”.
E quando os atabaques silenciaram, ao final da incrível cerimônia, ela disse: “Eu não tenho palavras para descrever e agradecer esta cultura. Para isto, dou meu sangue”. Ah, dezenas de olhos marejaram! Pensei nos nossos fluxos, como ondas… viva, às flores ao mar.
CORREIO DO BRASIL



Nenhum comentário:
Postar um comentário